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Diário de Gravidez - Mãe erra!

Porque Mãe já começa errando! 

Nem tudo são flores, é importante que se diga. Você engravida, organiza tudo com tanto carinho para a chegada daquele serzinho, enxoval, quartinho, a casa, o trabalho, a cabeça, a vida e aí se dá conta de que nada mais é só sobre você e seu filho mas sim sobre você x seu filho x o mundo palpitando! Depois de acompanhar várias amigas sendo mães ouvindo de tudo, e agora com minha própria experiência, resolvi usar este meu espaço para falar e tentar ajudar um pouco sobre o assunto. Acalme-se mamãe, você não é a única nem será a última a ouvir tudo isso! 

Porque Mãe já começa errando… 

A Mãe errou quando decidiu engravidar muito nova, ou muito mais velha.

Errou quando escolheu um ano com surto de zyka vírus e de outras tantas dezenas de vírus espalhados pelo mundo inteiro, é bom que se saliente.

Errou porque engravidou junto com outras colegas do mesmo departamento e imaginem só, sem elas a empresa não sobrevive! Mas ninguém parou pra pensar se cada uma já era tentante há meses ou até anos.

Erra quando não compra um enxoval completo até o primeiro ano da criança ou se comprou roupas de mais, aos olhos dos outros, claro.

Se comprar roupinhas RN então, vai ouvir a famosa frase: - Não compra roupa muito pequena porque eles usam 1x só! A vontade é de comprar logo tamanho 1 ano e de mostrar como ficam lindas num bebê menor que 1 mês…

Erra se engordou demais ou de menos durante a gestação.  As pessoas realmente tem uma necessidade de saber: - Quanto você já engordou? E com a resposta vem a réplica: - Nossa, tudo isso! Fulana engordou só tanto, na minha gravidez engordei só isso…

Aham, sei. Estou interessadíssima em saber… #sqn.

Erra quando diz que prefere que o filho durma no quarto do casal a ter que deixar seu pacotinho no quarto ao lado e levantar-se 17x durante a noite para checar se está tudo bem. Prepare-se porque este assunto deixa qualquer “super-mãe” irada! Certamente irá ouvir: - Não acostuma mal porque depois você não consegue mais tirá-lo do seu quarto!

Erra quando não tem mais paciência pra responder há tantas perguntas questionadoras e com ar de julgamento porque afinal, grávida é um patrimônio público e totalmente ignorante passiva de pena e da opinião alheia de como deverá criar seu filho.

Quer saber qual é o assunto considerado o número 1 do mimimi alheio? Ainda mais se vem de quem se quer passou ainda pela experiência da maternidade ou é homem…  A via de Parto!

A mãe já está errando quando é questionada pelo local que escolheu ter o filho e que tipo de parto ela e o marido decidiram ter, mesmo que este seja o melhor e mais indicado para mãe e bebê porque afinal, ela é q escolheu assim, errado!

Se opta pelo parto normal logo se pensa em dor, mutilação e sofrimento (?)… Se escolhe parto cesárea é porque é uma frouxa cheia de frescura e há quem aposta que vai sair de salto alto da maternidade! Amigo, cortar a barriga em 7 camadas de tecido e músculos, ter a sensação de ter sido cortada ao meio, levar dezenas de pontos e não ter tempo de recuperação de pernas pra cima em meio aos cuidados com um recém nascido é ter muito “culhão” sim senhor! E se a via de parto escolhida for humanizada em casa então? A mãe além de irresponsável só pode ser louca, aos olhos de quem nunca nem sequer leu sobre o assunto para dissertá-lo com tanta propriedade…!

Parto normal, parto cesárea ou parto humanizado: Deixem-a escolher e fazê-lo em paz! Onde está o tal “empoderamento” feminino?!

Imagine então, se soubessem que ela também escolheu entre várias opções a de não se vitimizar e cuidar da sua cria somente com a presença e companheirismo do pai porque né, seja lá ela de primeira, segunda ou terceira viagem ela pode/vai errar seja tentando conciliar a rotina da casa e os cuidados com o bebê e aí precisa de uma outra presença/ajuda feminina porque o “pobre” homem é apenas um cuidador, está ali para figurar e assistir a nova mãe errando e não se pode comparar aos cuidados que uma outra mulher/mãe teria com essa pobre mãe errante… Sem essa de que pai é “ajudante”, ok? Cuidado de pai, assim como mãe, é fundamental e exclusivo sim! Parem de estimular essa cultura de ajudante porque ela é muito mais machista que feminista. E tem mais…

Ao final da jornada que foi a gravidez, a mãe errante ouvirá que seu marido é o máximo, um pai herói que a acompanhou em todas as consultas e ecografias, esteve ao seu lado no momento do parto e que pasmem: - Como ele te ajuda, troca até fralda! Veja só, ele é um verdadeiro herói por trocar fraldas, já a mãe tábua rasa está ali sendo “ajudada” por este ser incrível! E ela segue errando e tentando e errando…

Além do mais, essa mesma mãe vai errar por querer amamentar exclusivamente no peito até onde puder seja lá a forma que escolher se por livre demanda, método easy ou sabe se lá qual for. E se ela não conseguiu amamentar exclusivamente até os seis meses é porque não estimulou, a pega não foi feita da forma certa, o leite era fraco e mimimi… Vai errar porque vai querer que o filho vá para o berçário antes do primeiro ano de vida, errar se deixou o filho na escola e esqueceu de colocar a lancheira dentro da mochila aquele dia, vai errar se não lembrou que é era dia de ir de fantasia para escola e lá foi ele(a) de uniforme, o único da sala!

E se a criança faz aquela ‘cena’ no meio do shopping ou supermercado, se joga no chão, faz cara de coitadinho e tudo? Sempre terá um olhar julgador sobre aquela mãe que errou em não ter educado com eficiência o filho birrento… Mas mal sabe o cidadão que aquela mãe errante está há dias ou semanas sem dormir direito, com mil e um problemas para se preocupar antes da birra do filho que quer o presente caro, e pra ela tanto faz o julgamento alheio. Se quer chorar, que chore. Não vai ganhar e pronto!

E por fim, erra quando não tem respostas tão encorajadoras assim nas conversas com outras mães sobre o desenvolvimento do seu filho pois afinal de contas, seu filho é dali o mais velho mas não sabe contar até 50 de trás pra frente com tanto esmero assim… Ave Maria…!

Porém, as comparações no desenvolvimento das crianças entre “algumas mães”, é bom que se diga assim, começa muito antes… Lá na primeira visita que fazem ao recém-nascido quando comparam o apgar do seu filho ao de outro… A sua recuperação com a da fulana e assim por diante. Tem mães que se julgam e se comparam uma vida inteira, como se isso massageasse o ego. Para mim, uma bobagem sem sentido algum… Deixa essa mãe curtir com romantismo a sua gestação, essa tranquilidade logo dará lugar a dias e noites de preocupação e sono, deixem ela errar e acertar sozinha, é assim que se dá o processo de aprendizagem.

Porque Mãe erra! Leva um tempo pra você aprender a lição… Não importa o quão você vem tentando ser para seu filho, apenas tenha certeza que o melhor que você pode ser está sendo. E no fim das contas, NINGUÉM melhor que MÃE e PAI pra saber o que é melhor pra um filho e mesmo que tenha sido uma gravidez não planejada ela não dá o direito ao outro de se tornar um “consultor especialista na vida alheia” simplesmente porque você já passou pela experiência. 

Não se cobre demais, ouça menos aquilo que não agrega, fazer cara de paisagem ajuda bastante, mas seja humilde e saiba avaliar conselhos valiosos de quem sempre tem uma dica ou sugestão que irá te ajudar sem julgar ou impor…

O que aprendi com a experiência das amigas: Isso passa! Não é preciso provar nada a ninguém, não é uma competição para saber quem é melhor mãe ou o melhor filho. Seja firme nas suas decisões mas não se cobre tanto, a maternidade é um eterno aprendizado, o torne leve e siga em frente!

Ninguém é igual a ninguém, filhos desenvolvidos e criados por uma mesma mãe (nem sempre da mesma forma) se tornam pessoas diferentes com prioridades e objetivos de vida diferentes…  Imagina então querer comparar a sua vida com a do vizinho?

Por isso, se desfaça das amarras e dos modelos “perfeitos”, curta e aproveite cada etapa desta jornada única, transformadora e cheia de aprendizagem porque na verdade, é e sempre será sobre você x seu filho, mais ninguém.